Projeto Juventude Rural - Riqueza - SC


Descrição

Segundo dados da Secretaria Estadual da Agricultura, Santa Catarina possui 200 mil propriedades rurais economicamente ativas. Destas, 30 mil não possuem o sucessor definido. Escolhas, mudanças, tecnologia e novas perspectivas fazem com que o jovem agricultor troque o dia a dia do campo, pela “facilidade” da vida na cidade.

Com conhecimento, orientação e acompanhamento técnico mensal, jovens do município de Riqueza mudam o cenário sendo agentes transformadores e multiplicadores deste processo, focando a sustentabilidade familiar através de ações que garantem renda a partir da bovinocultura de leite, qualidade de vida e preservação do meio ambiente. O valor do projeto é estimado em relação ao seu cronograma e pelos atendimentos às famílias participantes, sendo revisado anualmente.


Objetivo

Capacitar e orientar os jovens agricultores nas atividades ligadas à bovinocultura leiteira, incentivando a permanência das famílias no campo e a geração de mais renda e emprego na cidade.


Ações

Nesta atividade direcionada ao público jovem a metodologia aplicada é a construção do conhecimento e da cooperação. As ações seguem o mesmo roteiro das demais: Capacitação sobre bovinocultura de leite, manejo, gestão e qualidade na produção. Treinamento de como fazer cerca, práticas agroecológicas, além das caminhadas ecológicas, dias de campo, reuniões de avaliação, assistência técnica mensal e acompanhamento técnico financeiro mensal.


Resultados

O trabalho com os jovens agricultores pretende melhorar a renda dessas famílias, integrando e cooperando as atividades, sempre com respeito ao meio ambiente. Desta forma, possibilita uma produção mais rentável, com menos custos e horas trabalhadas e mais bem estar às famílias.


Números do Projeto

Local: Riqueza - SC

Famílias beneficiadas: 16

Atividade com monitoramento periódico

Acompanhamentos

Acompanhamento VI

24/01/2017

No ano de 2016, além do salto na produção leiteira, o que pode ser destacado é o salto nas atividades ambientais realizadas nas propriedades. O foco das ações era a melhoria das questões socioambientais nas propriedades, visto que para uma produção leiteira de qualidade e em quantidade, a água, junto com o pasto, é fundamental.

A água é considerada um dos nutrientes mais importantes para a vaca leiteira, visto que 87% de um litro de leite é composto de água, por isso, fornecer água limpa e de qualidade a vontade aos animais tanto na pastagem como na sala de ordenha e sala de alimentação é fundamental.

No total, as oito propriedades possuem 18 nascentes e 68.800,0 m² de mata ciliar protegida pertencente aos córregos e rios que passam por elas. As famílias, após a adoção destas ações já notaram diferenças como o crescimento da vegetação nativa, aparecimento de espécies da fauna e flora, melhora da vazão da água e um ambiente mais agradável.

No aspecto econômico, houve avanços também. Em relação ao início do projeto em 2013, a produção média do grupo subiu de 2.798 litros de leite/mês produzidos para 4.949 litros de leite/mês, um ganho de 78,76%. Hoje, o grupo conta, em média, com 13 animais lactantes por propriedade e uma produção mensal de 4.949 litros de leite/mês. Sendo que cada animal produz, em média, 12 litros de leite/dia. O custo de produção é de aproximadamente R$ 0,40 por litro de leite produzido, isso sem contar a mão de obra familiar utilizada na propriedade.

O ganho de produção do grupo de dezembro de 2015 a dezembro de 2016 foi de 64%. Esse aumento na produção se deu pela dedicação e empenho dos produtores que vem conduzindo muito bem as estratégias e manejos das pastagens dos piquetes.

Acompanhamento V

19/01/2016

A evolução do grupo de agricultores se deu a partir do envolvimento das famílias no processo de execução das atividades em cada propriedade. Sem isso, a melhoria e os resultados alcançados não seriam possíveis. Atualmente, o projeto conta com jovens produtores que melhoraram o dia a dia da propriedade, através das orientações para a construção dos piquetes, ações de bem estar animal (água e sombra nos piquetes), capacitação sobre agroecologia e homeopatia, manejo do pasto e dos animais, além do planejamento da propriedade. Para práticas de bem estar animal é incentivado o plantio de espécies de árvores nativas para sombra, além da instalação de bebedouros para os animais.

O projeto fechou o ano com nove propriedades participantes e com uma produção média de 4.407 litros de leite/mês, com 13 animais lactantes/por propriedade que produzem uma média de 10,49 litros de leite/dia/por animal. O custo de produção de um litro de leite passou para R$ 0,33.

No aspecto ambiental, as famílias iniciaram as atividades de manutenção e de proteção das fontes, nascentes e matas ciliares nas propriedades. Restaurar as matas ciliares é também restaurar a integridade ecológica desse ecossistema, sua biodiversidade e sua estabilidade, portanto o objeto principal do projeto será a recuperação da área, estabelecendo a delimitação da Área de Preservação Permanente conforme prevê o Código Florestal Lei 12.651/2012.

Com a renda aumentando, os produtores iniciaram melhorias nas suas propriedades. Por ser um grupo de jovens, o diálogo entre filhos e pais é fundamental para acontecer à sucessão familiar, aliado a isso e melhorando a renda, é possível realizar mudanças nas propriedades que primeiro fortalecem as relações familiares e, posteriormente, a renda das famílias.

Acompanhamento IV

12/12/2014

Neste período, o projeto em Riqueza foi decisivo para os jovens beneficiados. Na avaliação semestral, realizada em conjunto com os produtores, foram avaliados os ganhos econômicos, ambientais e sociais com o projeto. Os resultados foram diversos e, desta forma, foram traçadas novas metas, mais apertadas em relação a prazos e índices a serem alcançados. Com isso, alguns membros do grupo decidiram pelo desligamento do projeto.

Considerando as nove propriedades que permanecem no projeto, o projeto obteve um incremento de 21,48% correspondendo a uma média de 7.926 litros de leite comercializado contra 6.524 litros do período anterior. No primeiro semestre de 2015 será realizado um novo planejamento nas propriedades.

Acompanhamento III

25/06/2014

Neste período, os jovens produtores apresentavam algumas dificuldades no desenvolvimento do projeto. Mesmo assim, os ganhos médios ficaram em apenas 9,56% de aumento da produção, sendo que comparativamente as produções de leite por hectare e a média de produção de leite por vaca por dia, continuam muito próximos à média de produção do Estado de Santa Catarina, 5.000 litros/mês. 

Os trabalhos que desenvolvemos, do período, ainda não romperam com algumas práticas relacionadas às questões culturais, mas já apresentam evolução. Os caminhos que escolhemos para promover este avanço são: assistência técnica coletiva e as reuniões de avaliação do projeto onde todos expõem suas dificuldades e expectativas, promovendo uma avaliação qualitativa e quantitativa.

Acompanhamento II

16/12/2013

Neste segundo semestre de 2013, o projeto com os jovens avançou em vários pontos e se consolidou pelas práticas de projeção dos piquetes nas áreas de pastagens. Com esta prática os produtores estão prontos para iniciar a construção dos piquetes e corredores de acesso para as áreas de pastejo.

Os pontos principais deste período foram às capacitações que tiveram como objetivo a preparação dos jovens para adotar as novas tecnologias à produção de leite à base de pasto agroecológico. Outra prática que está em vigor desde agosto é o controle financeiro da atividade leiteira.

Acompanhamento I

12/06/2013

O projeto com os jovens é fundamentado na construção do conhecimento e temos algumas vantagens claras como: maior escolaridade e facilidade no acesso a internet. Neste último caso, favorece a comunicação e divulgação das ações do projeto. Por outro lado, temos como ponto que dificulta à implementação das ações do projeto as questões relacionadas aos conflitos de geração e as dificuldades para realizar os investimentos financeiros necessários para as atividades.

O ponto forte deste período foram às capacitações e os dias de campo. Com isso, os jovens aplicaram os conhecimentos na propriedade e fortaleceram as relações de amizade, companheirismo e comprometimento entre o grupo.

O investimento previsto para execução deste projeto é de R$ 371.197,24 para duração de 60 meses.

Fontes

Ismael Burkhardt

24/01/2017

Este jovem produtor de Riqueza também destaca-se na produção leiteira, sendo que dos 17 hectares de área da propriedade, oito deles são destinados a principal atividade produtiva da propriedade. 

Na parte ambiental, a área conta com um riacho que corta a propriedade que, aos poucos, está sendo revitalizado. No local, 30% da mata ciliar é nativa, onde a fauna encontra abrigo e alimentação. A propriedade possui duas fontes protegida: uma próximo a casa da família e outra na área preservada. 

Anderson Poncio dos Santos

03/10/2016

A família do jovem produtor, Anderson P. dos Santos, demonstra nas suas atividades a preocupação ambiental. O rio Arroio Cadete, que faz divisa com outra propriedade, possui sua mata ciliar protegida em uma extensão de 6.000 metros quadrados, sendo que 20% da mata existente ainda é nativa. A propriedade conta também com duas fontes de água preservadas. Em relação a reciclagem, o produtor realiza a separação dos resíduos e destina ao sistema de coleta seletiva do município.

A principal fonte de renda da família é a atividade leiteira, sendo que as demais como produção de uva, suinocultura e laranja são atividades para complemento de renda. Toda a produção é pautada em manej o convencional com práticas agroecológicas.

Edmundo Schultz

03/10/2016

Outro exemplo de dedicação e preocupação ambiental é a família de Edmundo Schultz. Possui ao longo da sua extensão de área, 8.000 metros quadrados de mata ciliar preservada do Rio Antas. Ao longo da preservação, 15% da mata é nativa onde a fauna encontra abrigo. Também possui reflorestamento utilizando espécies de uva japão.

A família possui como principal fonte de renda a atividade leiteira e como complemento, a produção de uva para fabricação de vinho, com manejo convencional utilizando práticas agroecológicas.

Alceu Allieve

05/09/2016

Sete hectares da família Allieve é destinada a produção leiteira dos 20 hectares total da propriedade. A principal renda vem desta atividade que é complementada com piscicultura, suinocultura e cultura do tabaco e as demais culturas são de subsistência, seguindo manejo convencional com práticas agroecológicas. 

A família do jovem produtor preocupa-se com o meio ambiente onde possui a mata ciliara do riacho Arroio Cambucica preservada, além de um nascente cercada com, aproximadamente, 2.200 metros quadrados. Outras duas fontes também estão protegidas através do modelo de encamisamento.

Os resíduos produzidos são destinado a coleta seletiva municipal.

Monitoramentos - Alceu Allieve

Monitoramento de nascente

31/01/2019

A visita técnica teve o objetivo de identificar as Áreas de Preservação de Nascentes e de Reserva Legal, com placas identicativas, além de efetuar um levantamento florestal das áreas de preservação com a contagem e identificação das principais espécies vegetais encontradas na propriedade, que foram separadas em duas parcelas com metragens de 10 x 20m conforme a disponibilidade de área.

A propriedade é certificada junto a Aurora Alimentos como Propriedade Sustentável, pelo segundo ano consecutivo, e o início de todo o processo de organização da certificação se deu com o incentivo do SOS Sustentar. O produtor seguiu as orientações técnicas repassadas o que possibilitou bons incentivos financeiros, meio ambiente equilibrado, água de qualidade, demanda de mão de obra suficiente, lazer, descanso e uma visibilidade diferenciada da sua propriedade.

Foi efetuado levantamento florestal das áreas de APP de duas nascentes (mas, a propriedade possui mais uma nascente) e córrego Arroio Cambucica, que se encontram isoladas por cerca e em processo de recuperação, o que totaliza uma área de 5.700,0m², nestas áreas contabilizamos 150 espécies vegetais, em fases de crescimento inicial e médio, e encontramos grande quantidade de pequenos arbustos que vem se desenvolvendo no local.

Somando as áreas de preservação de mata ciliar e Reserva Legal, chegamos a aproximadamente 42.100,0m² de área preservada.  Pelo levantamento amostral do número de exemplares preservados considerarando plântulas de pequeno porte, espécies em estágio inicial, médio e avançado de regeneração, estão preservadas, aproximadamente 15.787 plantas.

Cleiton Borges

05/09/2016

A principal fonte de renda da família de Cleiton Borges é a bovinocultura leiteira, sendo que é destinado seis hectares para a atividade e sendo que 10 hectares serão ampliados para novas áreas. A família também trabalha com a cultura do tabaco, criação de gado de corte e demais culturas para subsistência. 

A propriedade não possui nascente de sanga, somente uma sanga que passa pela propriedade, e esta não possui mata ciliar em toda sua extensão somente em alguns pontos e do total da propriedade ainda possui aproximadamente 25% de mata nativa, possui 2,0 ha de reflorestamento de eucalipto e uva do Japão onde a fauna encontra abrigo e alimento.

Na propriedade possui duas fontes de agua onde uma é do modelo caxambu e uma dessas duas fontes esta protegida com arvores nativas, a outra  fonte vai ser protegida com arvores nativas. O lixo é separado pelo produtor a prefeitura faz a recolha do mesmo para dar seu devido destino, não usa queimar o lixo. A propriedade já possui APP averbada a escritura.

Dionatan Grafeti

05/09/2016

A propriedade do jovem Dionatan Grafeti passou por uma transformação ao participar deste projeto. Oito hectares são destinados à atividade leiteira que é a principal renda da propriedade, além das atividades de suinocultura, piscicultura e tabaco. 

As práticas ambientais da propriedade são adotadas com o intuito de proterger o meio ambiente. A propriedade faz divisa com o rio Iracema onde 1% da mata ciliar é original, além disso, possui 0,5 hectares de reflorestamento com árvores da espécie - Uva Japão. Na área também encontra-se três fontes de água protegidas. Os resíduos produzidos pela família são coletados pelo sistema de coleta seletiva municipal.

Oldefir de Oliveira

08/08/2016

A propriedade da família do agricultor Oldefir de Oliveira possui uma nascente preservada, além de garantir a biodiversidade da mata ciliar do rio Cambucica. Neste caso, 20% da mata ainda é nativa, onde a fauna encontra abrigo e alimento. No total, a propriedade possui 8,7 hectares, sendo que cinco hectares são destinados a atividade leiteira.

As demais culturas produzidas são para subsistência da família e todas elas utilizam práticas ecológicas para combate de pragas e doenças, protegendo as pessoas e o meio ambiente.

Monitoramentos - Oldefir de Oliveira

Monitoramento de nascente

31/01/2019

O levantamento florestal de contagem de espécies nativas na área de mata ciliar e de Preservação Permanente (APP) da nascente mostrou um grande espaço de preservação ambiental. O espaço identificado foi de uma parcela com metragem de 10 x 20m, totalizando 200,0m² conforme a disponibilidade de área.

Encontramos na propriedade uma nascente, que abastece a área e o córrego Arroio Cambucica que faz divisa com a propriedade, as margens e entorno estão preservadas e em processo de recuperação. A nascente está protegida com tubos e seu entorno em recuperação com vegetação nativa, exóticas e frutíferas. A margem do Arroio Cambucica possui mata ciliar em recuperação, as áreas estão isoladas, evitando a entrada de animais, que juntas formam a Reserva Legal da propriedade, com 19.900,0m² de área preservada.  Pelo levantamento amostral do número de exemplares preservados podemos considerar entre plântulas de pequeno porte, espécies em estágio inicial, médio e avançado de regeneração de aproximadamente 11.343 plantas.

A proteção de nascente utilizada pelo agricultor é o modelo Caxambu, possui baixo custo de construção e dispensa limpeza periódica da fonte. Trata-se de um tubo de concreto de 20 cm de diâmetro, contendo quatro saídas, duas constituídas de dois tubos de PVC de 25 mm, (ou mais, conforme a necessidade) por 30cm de comprimento, que serão as duas saídas da água e, outras duas formadas por dois tubos de PVC de 40 mm x 30 cm de comprimento, um tubo para limpeza da estrutura e outro para “ladrão”. Esse modelo de proteção garante que a nascente não seja contaminada por agentes externos. Filtra e canaliza a água, evitando que a água barrenta chegue às residências. Outra vantagem desse método é o baixo custo de implantação, possibilitando que várias famílias sejam contempladas e dispensa a limpeza periódica da fonte.

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