Projeto Organização da Produção Orgânica de Alimentos - Águas Frias - SC


Descrição

O sistema de produção orgânica é o mais sustentável na produção de alimentos, respeita o meio ambiente, o agricultor, sua família e todas as relações de trabalho. É capaz de fornecer ao consumidor um alimento de alta qualidade, com um valor biológico superior e livre de produtos químicos contaminantes. Que ao longo do tempo, podem promover o desenvolvimento de várias doenças. O valor do projeto é estimado em relação ao seu cronograma e pelo atendimento à família participante, sendo revisados anualmente.


Objetivo

Prestar assistência técnica para o desenvolvimento da produção orgânica de alimentos com geração de emprego e renda, sendo um modelo de difusão, incentivando novos produtores a optarem por este sistema de produção e por fim, fornecer aos consumidores alimentos com qualidade superior e livre de agrotóxicos.


Ações

As orientações e capacitações, realizadas mensalmente, contribuíram na evolução produtiva da propriedade, além do conhecimento dos agricultores para a transição da produção convencional para uma produção sem o uso de agrotóxicos. Como etapa inicial foi desenvolvida a logomarca do produto “Vale dos Ipês” e um estudo de mercado.


Resultados

As ações do projeto consistem em gerar mais renda às famílias, produzir com qualidade e sem agrotóxicos, contribuir com a conscientização da população e, principalmente, com a segurança alimentar da sociedade.


Números do Projeto

Local: Águas Frias - SC

60 meses

Famílias beneficiadas: 02

Atividade com monitoramento periódico

Acompanhamentos

Monitoramento IV

05/11/2018

Após, quatro anos de projeto, os resultados ambientais, sociais e econômicos são expressivos, pois o equilíbrio ambiental da propriedade se traduz no sustento da família. “O mais gratificante de trabalhar com orgânico é a saúde, nossa e do consumidor. Nós sabemos que não existe o risco de intoxicação, de poluir o meio ambiente, pois a planta está saudável e em equilíbrio”, destaca o agricultor, Eliandro Comin. Sua esposa, Clarinês, complementa que “podemos pegar o alimento do pé e comer na hora sem se preocupar”. Os produtos são certificados pela certificadora Chão Vivo, do Espírito Santo, recebem auditoria anual na produção, avaliados minuciosamente quanto ao controle da produção sem componentes químicos.

Outra novidade também é que a propriedade conta com 10 estufas, com total de 2.000m², além de canteiros na área externa. As lonas utilizadas possuem tecnologia israelense, com ótimo aproveitamento no bloqueio do sol e redução da temperatura. A técnica de plantio que vem sendo utilizada nos 10 itens produzidos é o plantio direto, seguindo com adubação com cobertura morta (palha de grama), protegendo a estrutura do solo, a erosão causada pelas gotas de água da irrigação, além de evitar o contato das folhas com o solo, mantendo a qualidade e um produto limpo na hora da colheita.

            A propriedade possui cada espaço pensado e executado de acordo com as necessidades da família, mas, principalmente, pensado na proteção do meio ambiente, tudo funciona em sintonia. Um bom exemplo é o controle biológico utilizado pelos produtores no combate de pragas e doenças, iniciando nas divisas da propriedade, com a formação das barreiras verdes, formadas por capim, árvores nativas, e a conservação do solo, com todo o controle na produção a partir de microrganismos (fungos, bactérias), consórcio de culturas com plantas companheiras, ervas medicinais, e ainda com a utilização de caldas orgânicas quando necessário.

Além da produção orgânica a propriedade também fez o isolamento da APP, próxima ao córrego que passa pela divisa da propriedade, incluindo o plantio de algumas espécies nativas, que contam hoje com aproximadamente 50 (cinquenta) espécies diferentes de vegetação, através do manejo para o desenvolvimento de agrofloresta a partir do plantio de árvores frutíferas do interesse da família, colaborando com a condição de biomassa, recuperando o solo e contribuindo para a germinação de sementes e, com isso, ajudando no processo de sucessão vegetal natural. É um ambiente regenerado e está em equilíbrio, e continua a regeneração das plantas e dos animais, principalmente, dos pássaros.

Este sistema traz benefícios como: custos de implantação e manutenção reduzidos; diversificação na produção aumentando a renda familiar, assim como a melhoria na alimentação; melhoria na estrutura e fertilidade do solo devido à presença de árvores que atuam na ciclagem de nutrientes; redução da erosão laminar e em sulcos; aumento da diversidade de espécies e a recuperação de áreas degradadas.

Em relação ao aspecto financeiro, a família também obteve inúmeros ganhos. No ano de 2017, ouve a necessidade de construir novas estufas, com um investimento de aproximadamente R$ 55.000,00, (cento e cinquenta mil reais). Na época, a produção semanal baseava-se em folhosas (alface crespa, americana e temperos) chegando a 460 unidades. Continuou a produção de tomate, chegando a 03 (três) toneladas no ano, além de 800 kg de morango orgânico, e 3.000 unidades de couve-flor e brócolis/anual. Neste ano, não foi produzido beterraba e cenoura. 

Em 2018, até o mês de setembro os dados também são significativos. Com as estufas prontas e todas sendo utilizadas na produção, mensalmente, são produzidos 5.000 unidades entre folhosas, brócolis, couve-flor, tempero verde e rúcula. Em relação ao tomate, até o momento, já foram comercializados 06 (seis) toneladas. O aumento da produção de 2017 até o mês de setembro de 2018 foi de 58,9% e na propriedade como um todo desde o início de implantação do projeto, desde 2014 (04 anos) obteve um incremento de renda de aproximadamente 748%.

Produzindo de forma consciente e planejada, explorando e devolvendo ao meio ambiente os ingredientes necessários para obter uma produção de qualidade. A equipe técnica da SOS Sustentar tem satisfação e orgulho dos resultados que os produtores vêm alcançando, é sinônimo de missão cumprida, colaboração e aprendizado, tudo em sintonia e respeito ao meio ambiente.

Monitoramento III

12/12/2016

No terceiro monitoramento do projeto observou-se ainda mais a evolução da propriedade, no aspecto ambiental e financeiro. Em relação ao meio ambiente, além do plantio e colheita seguindo os protocolos ambientais de não utilizar agrotóxicos, o produtor também foi orientado para efetuar a conservação e revegetação de cortinas verdes, nos limites da propriedade, tanto com áreas vizinhas ou estradas, com a finalidade de implantar barreiras ecológicas, proteção, quebra-ventos, impedindo a entrada de pragas e doenças na propriedade.

A família dos agricultores, Eliandro e Clarinês, busca o equilíbrio entre meio ambiente e a produção e isso contribui para um alimento saudável com geração de renda. Vale a pena lembrar que há muitos anos não existe crise para a produção orgânica de alimentos. A agricultura orgânica tem crescido acima de 30% ao ano e tornando-se um excelente negócio para o agricultor.

A adubação laminar que vem sendo feita sobre as áreas de produção é uma excelente alternativa para o manejo de resíduos orgânicos, a compostagem laminar passa por um período de fermentação de dois a três meses e é possível cultivar diretamente sobre ela, ou incorporar o material composto ao solo. Essa técnica possui várias vantagens ao produtor: economia de mão-de-obra, não sendo necessário revirar a leira de compostagem, bem como não há necessidade do transporte do material, já que ele é preparado no local definitivo; aproveitamento do chorume, que penetra no solo; controle de plantas indesejáveis, com a cobertura do solo tem-se um ambiente desfavorável ao desenvolvimento de plantas espontâneas, sendo fundamental a manutenção da cobertura morta na superfície do solo; preparo do solo, com o processo sucessivo de compostagem laminar não haverá necessidade de revolvimento do solo, tornando os canteiros “permanentes”, o que proporciona economia de tempo e mão-de-obra.

No ano de 2016, iniciam-se grandes investimentos na atividade. Foram construídos 740,0m² de estufa, totalizando um investimento de aproximadamente R$ 33.000,00 (trinta e três mil reais). Com isso, a produção dobrou de 200 unidades semanais de folhosas para 400 unidades/semanais, atingindo mensalmente, 1.880 unidades de folhosas e temperos. No ano, foram produzidas 03 (três) toneladas de tomate orgânico, 1.000 unidades de brócolis e 1.000 unidades de couve-flor. Conforme Eliandro, as orientações técnicas do Programa SOS Sustentar foram determinantes para auxiliar nas técnicas de plantio: rotação de cultura, compostagem orgânica e inoculação biológica, garantindo o sucesso na produção.

Monitoramento II

10/12/2015

Neste segundo monitoramento do Projeto de Organização da Produção Orgânica de Alimentos, a atividade já apresenta avanços significativos na produção e na renda da família. Além disso, um aspecto bem importante é o equilíbrio da produção com o meio ambiente e o estilo de vida adotado pela família na busca pela produção de alimentos saudáveis, sem a presença de agrotóxicos.

Outra avaliação positiva deste período foram as orientações técnicas, conforme os produtores, informações importantes para uma melhor condução das atividades na propriedade, com foco na qualidade do alimento, tanto para a família quanto para o consumidor final, incluindo nesse período ações de preservação ambiental, para recuperação da área de APP do córrego que passa pela propriedade e efetuar a conservação e revegetação de cortinas verdes, nos limites da propriedade, tanto com áreas vizinhas ou estradas, com a finalidade de implantar barreiras ecológicas, proteção, quebra-ventos, impedindo a entrada de pragas e doenças na propriedade.

Além de todo o acompanhamento técnico na produção, as ações do projeto também consistiam em auxiliar no processo de certificação dos produtos como alimentos orgânicos, agregando qualidade e rendimento ao produto, e ganhando um mercado diferenciado na comercialização. A certificação aconteceu em setembro de 2015, proporcionando à família o orgulho de consumir e oferecer aos clientes um produto com certificação e totalmente orgânico, produzido além da técnica com muita satisfação pelo casal.

Em relação a estrutura da propriedade, a família ainda conta com os canteiros ao ar livre, mas com maior diversidade na produção com verduras folhosas, beterraba, cenoura, tempero verde, couve-flor, brócolis e repolho. A família vem planejando a construção de estufas para o próximo ano, através de financiamento bancário.

Em relação ao eixo econômico da atividade, teve bons avanços neste ano. A partir das técnicas empregadas de cobertura morta, adubação e compostagem laminar, a produção cresceu para 1160 unidades/mês de alface crespa e americana, couve-flor, brócolis e tempero verde. E ainda incremento de 100 kg de cenoura, 100 kg de beterraba e 300 kg de tomate cereja. Segundo o produtor, a renda está melhorando a cada mês, iniciando parcerias de entrega para supermercados de Pinhalzinho, Maravilha, e continuando o fornecimento no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) de Águas Frias.

Monitoramento I

19/12/2014

O sistema de produção orgânica é o mais sustentável sistema de produção de alimentos, respeita o meio ambiente, o agricultor, sua família e todas as relações de trabalho. Capaz de fornecer ao consumidor um alimento de alta qualidade, com um valor biológico superior e livre de produtos químicos contaminantes e que podem, ao longo do tempo, promover o desenvolvimento de várias doenças. Pensando nisso é que surgiu o Projeto da Organização da Produção Orgânica de Alimentos, na Linha São João, interior do município de Águas Frias/SC, localizada nas coordenadas geográficas S 26º 49’ 10,91’’ e O 52º 51’ 22,27’’.

A família de agricultores, Eliandro Comin e Clarinês Panis, procurou o Programa SOS Sustentar, para contribuir na assistência técnica de organização da atividade olerícula baseada na produção orgânica, o objetivo dos produtores é de recuperar o solo com adoção de práticas que proporcionem qualidade e melhoria, por meio de mudanças de práticas de manejo, priorizando manutenção com revolvimento mínimo do solo, aumentar os teores de matéria orgânica e da atividade biológica, deixando o solo apto para uma produção orgânica eficiente e com qualidade.  

Ao iniciarmos a atividade em 2014, o casal que é sucessor da propriedade, já plantava algumas unidades de hortaliças. Porém, a necessidade era melhorar o manejo, principalmente do solo e buscar a certificação da produção como orgânica. O mais importante dentro deste sistema é a família vê-lo como um projeto de vida, ou seja, fazer dele um estímulo à produção saudável e sustentável, pensando não só neles enquanto produtores, mas nos consumidores que terão a disposição um produto livre de agrotóxicos. Além da produção de hortaliças, a família cultiva outras atividades para subsistência, como patos, galinhas, mandioca, milho, arroz, feijão, entre outras, sempre preocupados com a segurança alimentar e a qualidade dos alimentos.

A matéria orgânica foi reconstituída no solo da propriedade, utilizando recursos da própria área, vegetal e animal, como: restos de cultura que ficam a campo, palhadas, folhas, cascas, galhadas e raízes, e animais que vivem no solo, como minhocas, formigas, besouros, fungos, bactérias e outros microrganismos. Componentes vivos ou mortos, constituídos de carbono orgânico são sinônimos de matéria orgânica. O carbono é o principal constituinte da matéria orgânica, e com ele estão ligados vários outros elementos importantes, como o Nitrogênio.

Inicialmente foram implantadas práticas de adubação verde, iniciando com indicadoras, e seguindo na entrada do inverno com aveia e no verão com milheto e mucuna, que são utilizadas até o momento. Outra técnica para recuperação do solo, e que teve bastante eficiência na propriedade foi da adubação laminar. Para este processo é utilizado, camada de grama e, principalmente, cama de aviário certificada e mais uma camada de palha, esta adubação pode ser utilizada em até três cultivos de alface sem necessidade de revolvimento, durando um período de até 120 dias. Após, é incorporado o plantio rotativo e, posteriormente, o processo de adubação laminar novamente. Os canteiros eram ao ar livre e contava com pouca diversidade na produção de folhosas e legumes.

Outra atividade que contou com o apoio da empresa SOS Sustentar foi a criação da logomarca “Vale dos Ipês” para identificar os produtos orgânicos produzidos pela família, em outubro de 2014, sendo o identificador dos produtos em feiras e mercados. Neste primeiro ano, a família possuía a produção orgânica como atividade secundária.

A recuperação do solo, aliado ao equilíbrio da atividade se visualiza com o incremento da produção e no crescimento da renda familiar. No ano de 2014, a produção mensal foi de 560 unidades, entre alface crespa e americana, couve-flor e brócolis, gerando uma renda anual próxima a de R$ 16.800,00 (dezesseis mil e oitocentos reais). O investimento feito pelo produtor no ano foi em um pequeno processo de irrigação chegando a R$ 1.500,00 (um mil e quinhentos reais), e com perspectivas de crescimento e investimentos nos próximos anos.

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